Por Soraya Misleh

A necessidade de ações efetivas que pressionem pelo fim da ocupação israelense de territórios palestinos - a mais longa da era contemporânea - foi enfatizada em vários momentos no Fórum Social Mundial, em Porto Alegre, realizado entre 25 e 29 de janeiro último. À marcha de abertura, que reuniu cerca de 30 mil pessoas, uma delegação contava com dezenas de pessoas portando bandeiras palestinas e hatas.

Em três falas, a comunidade destacou a urgência da solidariedade internacional face à dramática situação em que se encontram os que vivem sob ocupação. O Mopat (Movimento Palestina para Tod@s) observou que direitos humanos fundamentais, como o de circular livremente e viver com dignidade, são negados cotidianamente nos territórios. Mudar esse cenário - um dos desafios colocados aos participantes do Fórum Social Mundial dez anos depois de iniciado esse processo - passa pela pressão da comunidade internacional.

Uma das maneiras é levar adiante a campanha global por boicotes a produtos que financiam a ocupação. Na contramão disso, Nader Bujah, de Porto Alegre, lembrou que o Brasil firmou acordos de cooperação e compra de equipamentos militares e aviões não tripulados - no valor de US$ 350 milhões -, os quais precisam, portanto, ser rompidos.

Para o sociólogo brasileiro Emir Sader, a política externa brasileira é subalterna aos Estados Unidos, como mostram acordos como esses e o próprio Tratado de Livre Comércio entre Israel e Mercosul, que tramita no Parlamento nacional. “O País não deve ratificá-lo.”

O sociólogo português Boaventura de Sousa Santos destacou, durante sua palestra sobre "Mundialização alternativa e emergência das periferias”, no dia 26, que na Europa foi instalado o Tribunal Bertrand Russell para condenar Israel por crimes contra a humanidade, mediante ações como o boicote ao apartheid - o qual é “muito pior do que o vivenciado na África do Sul”. Fazendo questão de afirmar que a Palestina é lhe uma luta muito cara, Boaventura continuou: “É uma injustiça histórica, em que aquela população pagou pelo equívoco e hipocrisia europeus.”

A distância, o coordenador do Stop the Wall, Jamal Juma garantiu sua participação à mesa sobre “Conjuntura política hoje”, também no dia 26. Agradecendo a solidariedade internacional, levou a mensagem ao Fórum Social Mundial: “Devemos continuar nesse esforço de apoiar o povo palestino na luta contra a ocupação. Assim será possível derrotar o colonialismo e a opressão, a exemplo do que ocorreu em relação ao apartheid na África do Sul. O Comitê Nacional Palestino chama os movimentos sociais brasileiros a que deem fim a esses acordos assinados pelo seu Governo, que são favoráveis à ocupação. Temos que fazer acordos que unam os povos, aproximem a humanidade.” Sobre a fala de Jamal Juma, veja mais em http://www.ciranda.net/spip/article3580.html.

Juma era uma das presenças internacionais bastante esperadas no FSM e não pôde ir por ter sido solto pouco menos de 15 dias antes do início do evento. Ele foi preso arbitrariamente quando estava em sua casa em 16 de dezembro último e, segundo confirmou, somente foi libertado graças à mobilização da comunidade internacional. Diante desse exemplo de que a solidariedade global tem impacto efetivo, o coordenador do Stop the Wall fez um apelo aos participantes de roda de comunicação compartilhada: continuarem a pressionar o Governo de Israel mediante ações como a de boicotes a produtos que financiam a ocupação de territórios palestinos e fortalecer o trabalho coletivo para disseminar informações que não são difundidas pela mídia tradicional.

Informações publicadas originalmente em www.ciranda.net.

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