Israel e a tortura infantil

As fotografias que exibiram o tratamento dos presos nas bases militares estadunidenses no Afeganistão e no Iraque chocaram o mundo, mas os palestinos têm sofrido abusos ainda piores dentro das prisões israelenses desde 1967, após a ocupação ilegal da
Cisjordânia e da Faixa de Gaza. O pior de tudo é que muitos desses presos humilhados são crianças, considerados por Israel como “prisioneiros de guerra”.
As crianças palestinas são sujeitas a torturas físicas e psicológicas nas prisões israelenses. Mohammed Mahsiri, 17 anos, residente do campo de refugiados de Dheisheh, na Cisjordânia, foi preso pelas forças de ocupação israelenses há pouco mais de um ano e meio. “Me trancaram em um veículo e me levaram para o interrogatório. O interrogatório começou às 14h e terminou somente após às 23h. Fui
espancado muitas vezes, normalmente quando os soldados não obtinham as respostas que queriam”, contou ele. Mahsiri sofreu torturas por um mês, até que “não suportei e ‘confessei’ o que eles queriam que eu confessasse”. A partir de então, o jovem ficou
detido em uma prisão israelense como “prisioneiro de guerra” por 13 meses.
Recentes relatórios de grupos de direitos humanos, inclusive israelenses, relatam as violações sistemáticas da Lei Internacional nos centros de detenção israelenses, em que centenas de presos
são crianças de até 12 anos de idade. Todos, assim como os adultos, são tratados igualmente – com torturas, espancamentos, interrogatórios criminosos e sem direito de julgamento.
Apesar de a Convenção Internacional dos Direitos da Criança e as próprias leis israelenses definirem uma “criança” como alguém com menos de 18 anos, o sistema de detenção de Israel não segue esse
mesmo padrão, aprisionando crianças com até 12 anos de idade e adultos da mesma maneira. Além dos crimes de direitos humanos, as crianças aprisionadas não recebem qualquer forma de estudo nas prisões israelenses, o que lhes causa dificuldades no “mundo
de fora” mesmo após conseguirem a sua liberdade. De acordo com dados recentes do grupo Defesa Internacional da Criança (DCI), organização não-governamental que promove a proteção dos direitos da criança, pelo menos 398 crianças palestinas estão
presas nessas condições em prisões israelenses.
Assim como os Estados Unidos, Israel defende os seus métodos de interrogação com as crianças, afirmando ser “uma ferramenta necessária na guerra contra o terrorismo”. A Comissão Landau de Israel afirmou que “um moderado nível de pressão, incluindo pressão
física, para se obter informações importantes, é inevitável em alguns casos”. Enquanto isso, crianças palestinas são presas, torturadas e humilhadas acusadas de “jogar pedras contra as forças israelenses”. Sem qualquer forma de julgamento, as crianças são capturadas como “prisioneiros de guerra”, punidas pela condição política em que se encontra a Palestina, e não por questões legais.
Infelizmente, parece que as violações de Israel – estado com o maior número de ações criminosas votadas e aprovadas contra perante a ONU – não têm limites. Mas, deixemos as crianças falarem: “Quando saí da prisão foi o melhor dia da minha vida”, disse Mahsisi.

Fonte: www.orientemediovivo.com.br

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