Distorcendo a história da Palestina
O mapa do Oriente Médio, em um típico livro escolar israelense, não apresenta a Linha Verde, que até 1967 separava Israel dos territórios palestinos, hoje ocupados ilegalmente pelo “lar nacional judaico”. Não faz parte do aprendizado das crianças israelenses o
fato que o “lado israelense” da Linha Verde consiste 78% do que era a Palestina em 1947, antes da fundação do Estado de Israel.
Será que isso também faz parte do “processo de paz” israelense?
A questão não se encerra aí. O próprio vídeo introdutório do Museu da Independência de Tel Aviv não apresenta qualquer menção sobre a existência de árabes, em qualquer época da história, na Palestina – em que hoje os próprios israelenses vivem. A
mensagem cultural israelense é que os palestinos, ironicamente, nunca existiram. Certamente, tais ensinamentos israelenses já plantaram as sementes das próximas décadas de tensões e guerras na Palestina.
Cada nação carrega a responsabilidade de contar a sua própria história. Com Israel, não deveria ser diferente, mas os líderes israelenses não pensam dessa forma. Assim como se consideram “o único povo escolhido por Deus”, também consideram que a sua
versão da história é a única que importa. Uma recente pesquisa da Sociedade de Prisioneiros Palestinos (PPS) apontou que a maioria dos cidadãos israelenses não sabe o que é a “Al-Nakba”, ou “desastre” – os acontecimentos na Palestina pós-independência de
Israel. As crianças israelenses sequer sabem que existiram árabes nas terras em que eles habitam hoje, e os adolescentes não fazem idéia de que cerca de 900 mil palestinos foram expulsos de seus lares e perderam suas terras em 1948.
O direito de retorno dos refugiados palestinos e a
situação legal de Jerusalém são os principais obstáculos para a paz na região. Tentativas para
solucionar os problemas foram feitas, como o plano da Arábia Saudita iniciado em 2002 e revivido pela Liga Árabe em março desse ano, mas discutir os direitos dos árabes não está na agenda israelense. Segundo os líderes israelenses, os palestinos não podem retornar para suas terras porque causaria uma “eliminação
demográfica” de Israel como um “lar nacional judaico”.
Se o tal “processo de paz” israelense realmente existe, deveria começar ensinando as suas próprias crianças sobre a verdadeira história de Israel. A Al-Nakba e o êxodo palestino, os meios pelos quais a auto-independência do Estado de Israel foi alcançada, são responsabilidade inteiramente de Israel. Qualquer forma de diálogo com os palestinos só será possível se tais obstáculos forem solucionados. Os árabes deram o primeiro passo muitas vezes, mas em vão. Existe algum interesse israelense em discutir a paz na
região?
Fonte: www.orientemediovivo.com.br
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