A tortura como norma em Israel
“Israel não possui – legal ou eticamente – qualquer barreira que impeça o uso de tortura contra seus prisioneiros” concluiu um recente relatório do Comitê Público Contra a Tortura em Israel (PCATI). O novo relatório do grupo ataca a decisão da Suprema
Corte de Israel, o tribunal superior de todo o sistema judiciário israelense, por permitir o uso de táticas dolorosas para interrogatório de prisioneiros sob custódia de Israel.
De acordo com o documento, a decisão da Suprema Corte de Israel é interpretada pelo Shin Bet, a agência interna de inteligência de Israel, como uma luz verde para o uso de tortura contra todos os prisioneiros palestinos, incluindo mulheres e crianças. O relatório
também aponta que oficiais do exército, policiais, juizes militares e até médicos estariam envolvidos diretamente na tortura de prisioneiros palestinos.
No relatório intitulado “Uma Bomba Relógio”, o PCATI detalha os casos de nove prisioneiros palestinos que sofreram abuso físico, sexual e psicológico nas mãos dos interrogadores israelenses durante o ano de 2006. “Os testemunhos das nove vítimas exemplificam como o uso de tortura nas prisões israelenses faz
parte do tratamento comum de prisioneiros palestinos, e mostram como tais práticas são conduzidas como norma, organizadamente, nas prisões israelenses”, cita o relatório.
Amin Ahmad Jamil Shqirat, uma das testemunhas, da cidade de As-Sawahra As-Sharqiyyeh, próximo a Belém, descreveu com detalhes um dos métodos de tortura israelenses: “Me sentavam em uma cadeira, com o encosto no lado direito do meu corpo. Minhas pernas
eram amarradas nas pernas da cadeira. Um interrogador sentava à minha frente, e outro atrás. Enquanto o da frente pisava em um dos meus pés e me empurrava para trás, o outro puxava a cadeira, ferindo lentamente os meus músculos abdominais”, contou a vítima.
Outra testemunha, Luwaii Ashqar, da cidade de Saida, afirmou: “eu era forçado a ficar na ponta dos meus dedos do pé por até uma hora. A cada vez que eu não agüentava e meus pés tocavam o chão, me castigavam com o cacetete”. No caso de Bahjat Yamen, outra vítima, a tortura era passar três dias apenas bebendo água, com alimentação somente no quarto dia. Outras testemunhas citadas no relatório descrevem vários exemplos da tortura israelense, como humilhações sexuais, raciais e religiosas. Nas palavras do diretor do PCATI, Hannah Friedman, “um estado que se auto-intitula um regime democrático, comprometido com a proteção dos direitos humanos, não pode fazer uso de torturas derivadas da Idade Média”. Em resposta ao documento, o Shin Bet se defendeu ao afirmar que os interrogatórios são “conduzidos de acordo com a lei israelense. As informações conseguidas através
de tais métodos ajudaram na prevenção de novos ataques
terroristas contra cidadãos israelenses”. Contra a justificativa da agência israelense para o uso da tortura, o PCATI foi curto e direto:
“A tortura não previne o terrorismo. A tortura compromete a moral do torturador, e o corpo e a alma do torturado. A tortura reflete e ao mesmo tempo perpetua uma visão do outro como indigno de tratamento humano e, dessa forma, reduz as chances de se escapar do ciclo de medo, ódio e deterioração ética”.
Fonte: www.orientemediovivo.com.br
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