Mais sobre Sabra e Chatila

- Israel invadiu o Líbano em 1982, sob o pretexto de uma vingança contra os palestinos pelo assassinato de um diplomata. Esse argumento era verdadeiro?

“Em 6 de junho (de 1982), com o pretexto de um atentado contra o embaixador israelense em Londres, do qual a própria Scotland Yar dhavia isentado a OLP de responsabilidade, começava por terra, mar e ar o que o exército israelense chamaria de Operação Paz para a Galiléia. (Obs: milhares de palestinos expulsos de sua terra por Israel, ao longo dos anos, estavam refugiados no Líbano. A sede da Organização de Libertação da Palestina — OLP — também ficava naquele país.) Quase 80 mil soldados cruzaram a fronteira. Em quatro dias os invasores estavam nos subúrbios de Beirute.” — O movimento palestino.

- Pouco depois da invasão, ocorreria o massacre de civis palestinos pela falange libanesa em Sabra e Chatila, na periferia de Beirute. Os israelenses negaram que tivessem tido participação naquele episódio sangrento. Isso é verdade?

“Foi com o país ocupado... por Israel que os libaneses viram ser escolhido, em agosto (1982), para presidente, o líder falangista Bechir Gemayel, ferrenho inimigo da resistência palestina. Menos de um mês depois, ele seria assassinado, o que levaria milicianos da Falange (Obs: Falange cristã maronita, de direita), protegidos — como posteriormente se comprovaria — pelos ocupantes israelenses comandados por Ariel Sharon, (Obs: atual primeiro-ministro de Israel) a uma orgia sangrenta nos campos (de refugiados) palestinos de Sabra e Chatila, na periferia de Beirute.” — O movimento palestino.

(O banho de sangue durou três dias, com cerca de 3 mil civis chacinados.) “Desde o início, o massacre adquire proporções consideráveis, segundo afirmam os que escaparam. Durante essas primeiras horas (15 de setembro), os milicianos falangistas matam centenas de pessoas...liquidam famílias inteiras em pleno jantar.

(...) Em numerosos apartamentos, crianças de 3 ou 4 anos são encontradas de pijamas, enroladas em cobertores ensanguentados. Mas, frequentemente, os assassinos não se contentam em matar...cortam os membros de suas vítimas antes de liquidá-las...esmagam contra a parede a cabeça das crianças e dos bebês... mulheres e até meninas são violadas antes de serem assassinadas a golpe de machado. (...) Usando o machado e a faca, os milicianos espalham o terror...abatendo sem distinção homens, mulheres, crianças e velhos. (...) Também não distinguem entre cristãos e muçulmanos, libaneses e palestinos. Todos os que vivem nos acampamentos...devem ter o mesmo fim.

(Em Chatila), toda a família Mikdad é assassinada... entre eles uma mulher chamada Zeinab no oitavo mês de gravidez. Abrem-lhe o ventre, tiram-lhe o feto e o colocam nos braços de sua mãe morta. (Também em Chatila) várias outras mulheres são violadas antes de serem assassinadas. Despem-nas e seus corpos são dispostos em forma de cruz (Obs: Os falangistas são cristãos)” — O massacre de Sabra e Chatila, do jornalista israelense Amnon Kapeliouk.

“É inconcebível pensar, à luz das provas e de numerosos testemunhos, que os generais Haron e Eytan, os artesãos da operação Sabra e Chatila, não sabiam o que iria se produzir nos dois acampamentos.” — O massacre de Sabra e Chatila.

“O general (israelense Amos Yaron) confirma-lhes (às forças libanesas) que suas tropas fornecerão toda a ajuda necessária ‘para a limpeza de terroristas nos acampamentos'. O general Drori, em seguida, telefona a Ariel Sharon e anuncia-lhe: ‘Nossos amigos estão penetrando nos acampamentos. Coordenamos sua entrada'. ‘Parabéns!', responde Ariel Sharon, ‘a operação de nossos amigos está aprovada'.” — O massacre de Sabra e Chatila.

Fonte: http://anovademocracia.com.br

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